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    Archived pages: 86 . Archive date: 2013-12.

  • Title: Hakani
    Descriptive info: .. Imprensa.. Notícias da Campanha Hakani.. Imprensa Internacional.. Quebrando o Silêncio.. O que é Infanticídio?.. Panorama Mundial.. Infanticídio entre os povos brasileiros.. Saiba mais.. História da Hakani.. Outras histórias.. Com a palavra os pais.. Envolva-se.. Contribua.. Sinopse.. Fotos.. Sobre o Making Of.. O Povo Suruwaha.. English.. Português.. Home.. Notícias.. Infanticídio.. Vitimas.. Documentário.. FAQ.. Parceiros.. Contato.. Movimento indígena a favor da vida.. Líderes de diversas etnias se reúnem em Brasíla para buscar alternativas ao infanticídio.. Sou um sobrevivente.. Sei a importância de um posicionamento firme com relação ao infanticídio.. Há lideranças manipuladas por antropólogos.. Projeto Hakani o que é real  ...   esforços na prevenção do infanticídio realizados pelo Projeto Hakani permanecem sob ataque.. FILÓSOFO ABORDA INFANTICÍDIO INDÍGENA NO ESTADÃO E NO GLOBO.. O Brasil está sendo tão acometido da sanha do politicamente correto.. PROJETO DE EMENDA CONSTITUCIONAL DE AUTORIA DO DEPUTADO POMPEO DE MATTOS.. PEC visa inibir infanticídio étnico-cultural por indígenas.. PAPA BENTO XVI SE SOLIDARIZA COM LUTA DA ATINI.. Após receber no Vaticano o material da ATINI, uma cópia do livro UM VOZ PELA VIDA.. Faça sua doação.. agora mesmo.. Visite o blog e.. fique informado.. Copyright © 2008 Todos os Direitos Reservados - www.. hakani.. org.. by hkl..

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  • Title: Hakani
    Descriptive info: |.. Notícias da campanha Hakani.. Projeto Hakani o que é real e o que não é real.. Os esforços na prevenção do infanticídio realizados pelo Projeto Hakani permanecem sob ataque de ativistas da Survival International.. Como resultado prático dos esforços desse projeto, um número sem precedentes de grupos indígenas têm se mobilizado.. Filósofo aborda infanticídio indígena no estadão e no globo.. O Brasil está sendo tão acometido da sanha do politicamente correto que o olhar de muitos não consegue ver coisas que acontecem ao nosso redor.. Assim, há em curso uma tentativa de resgate de nossa história que está escorregando no seu contrário.. Projeto de emenda constitucional de autoria do deputado Pompeo de Mattos.. A Câmara analisa a Proposta de Emenda Constitucional 303/08, do deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), que condiciona o respeito aos direitos indígenas de organização social, costumes, línguas, crenças e tradições ao respeito à vida.. Papa Bento XVI se solidariza com luta da ATINI.. Após receber no Vaticano o material da ATINI, uma cópia do livro UM VOZ PELA VIDA e do documentário que conta a vida da menina indígena Hakani.. CNBB recebe visita da menina Hakani.. Dom Dimas recebeu, na tarde de 3 de dezembro, na  ...   clamor solitário de uma mãe indígena pela vida de sua filha tem se multiplicado nos últimos meses de forma grandiosa, graças a pessoas como você.. Lei da Adoção.. Também em agosto, a nova Lei de Adoção foi aprovada por unanimidade no Congresso Nacional.. Movimento indígena.. Indígenas das etnias Ticuna, Kaiwa, Tucano, Kamayurá, Terena e Bakairi, criaram o Movimento Indígena a favor da Vida.. 16-07-2008 BRASILIA - COMISSAO DOS DIREITOS HUMANOS APROVA AUDIENCIA PUBLICA PARA DEBATER.. O TEMA DO DOCUMENTARIO HAKANI.. As 14 horas do dia 16 de Julho de 2008 em reunião no Plenario 09 da Câmara dos Deputados, a Comissão de Direitos Humanos.. Mobilização contra infanticídio acontece hoje - Jornal do Estado - 17/07/2008.. Clique Aqui.. Câmara promove manifestação contra infanticídio - Agenciabrasil.. com - 17/07/2008.. Manifestações em dez cidades condenam a prática do infanticídio entre os índios - Agenciabrasil.. Documentário revela prática de infanticídio entre povos índios do Brasil - Africa21.. Manifestantes exigem proteção à vida de crianças indígenas - Gazeta do Povo - 16/07/2008.. Índios em foco - Folha de S.. Paulo - 17/07/2008.. Infanticídio - O Estado do Paraná - 17/07/2008.. Vítimas.. | 2008 Hakani - Todos os Direitos Reservados.. 2008 Hakani - Todos os Direitos Reservados..

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  • Title: Hakani
    Descriptive info: Curitiba.. Belo Horizonte.. Guarulhos.. Brasília.. Manifestação a Favor da Lei Muwaji.. MANIFESTAÇÃO A FAVOR DA LEI MUWAJI em frente ao escritório da Deputada Janete Pietá Em Guarulhos.. Hakani e sua mãe Marcia fazem visita ao Governo Americano.. Hakani e sua mãe Marcia fazem visita ao Governo Americano a apresentam o documentário sobre a vida de Hakani..

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  • Title: Hakani
    Descriptive info: Noruega.. http://www.. aftenposten.. no/amagasinet/article2517154.. ece..

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  • Title: Hakani
    Descriptive info: Tem assuntos que ninguém gosta de falar.. Quando uma mulher indígena do grupo arawá sai para dar à luz, por exemplo, ninguém vai junto.. Esse é um momento só dela.. Ela sai sozinha, mesmo que seja muito jovem e aquele seja seu primeiro bebê.. Ela procura uma árvore ou arbusto onde possa se apoiar, se agacha, e ali enfrenta suas dores.. É ali, na hora do parto, que essa jovem mãe tem a grande responsabilidade de decidir o futuro da criança.. Ela só poderá ficar com o bebê se ele for perfeito.. Se por alguma razão ela volta para a casa sem o bebê nos braços, o silêncio é geral.. Ninguém pergunta o que houve.. Nem o pai da criança, nem os avós, nem a amiga mais próxima.. A jovem se afunda em sua rede, muitas vezes sem coragem ou forças nem para chorar.. O assunto morre ali mesmo.. Ninguém pergunta por que ela voltou sem o bebê.. A mãe terá que carregar sozinha, em silêncio, pelo resto da vida, a lembrança dessa maldição, dessa má sorte, dessa infelicidade.. Às vezes ouve-se ao longe o choro abafado da criança, abandonada para morrer na mata.. O choro só cessa quando a criança desfalece, ou quando é devorada por  ...   diferenças culturais.. Estamos vivendo um momento de mudança de atitudes.. Algumas mulheres indígenas resolveram abrir a boca sobre esse assunto, tão polêmico e ao mesmo tempo tão doloroso para elas.. A partir da iniciativa dessas mulheres, o tabu começou a ser quebrado e a mídia nacional vem veiculando diversas matérias sobre o assunto (Revistas Consulex – outubro 2005, Problemas Brasileiros, do SESC/SP de maio-junho 2007; Cláudia, julho de 2007; Veja, agosto 2007, dentre outras).. Nossa sociedade precisa parar de falar por um momento e ouvir essas vozes.. Os números são alarmantes.. aborda o infanticídio a partir do depoimento dos próprios indígenas.. Reúne relatos de parentes de vítimas, de agressores e de sobreviventes.. São ouvidos, ainda, antropólogos, advogados, religiosos, indigenistas e educadores.. Esperamos que este material ofereça dados suficientes para que se possa pelo menos tomar uma decisão importante.. A decisão de levar essa discussão adiante - ouvir, discutir, refletir, com imparcialidade, e criar condições para que as comunidades indígenas possam resolver os conflitos que causam o infanticídio.. Que, pelo menos por um momento, possamos silenciar ideologias e paixões e ouvir com empatia a voz de mulheres que se cansaram de enfrentar sozinhas essa dor.. Que possamos tomar a decisão responsável de quebrar o silêncio sobre o infanticídio..

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  • Title: Hakani
    Descriptive info: Popularmente usado para se referir ao assassinato de crianças indesejadas, o termo infanticídio nos remete a um problema tão antigo quanto a humanidade, registrado em todo o mundo através da história.. A violência contra as crianças é uma marca triste da sociedade brasileira, registrada em todas as camadas sociais e em todas as regiões do país.. No caso das crianças indígenas, o agravante é que elas não podem contar com a mesma proteção com que contam as outras crianças, pois a cultura é colocada acima da vida e suas vozes são abafadas pelo manto da crença em culturas imutáveis e estáticas (ver box ao lado).. A cada ano, centenas de crianças indígenas são enterradas vivas, sufocadas com folhas, envenenadas ou abandonadas para morrer na floresta.. Mães dedicadas são muitas vezes forçadas pela tradição cultural a desistir de suas crianças.. Algumas preferem o  ...   outro, ou se o sexo do bebê não for o esperado.. Para os mehinaco (Xingu) o nascimento de gêmeos ou crianças anômalas indica promiscuidade da mulher durante a gestação.. Ela é punida e os filhos, enterrados vivos.. É importante ressaltar que não são apenas recém-nascidos as vítimas de infanticídio.. Há registros de crianças de 3, 4, 11 e até 15 anos mortas pelas mais diversas causas.. Em certas comunidades, aumentam os casos entre mães mais jovens.. Falta de informação, falta de acesso às políticas públicas de educação e de saúde, associadas à absoluta falta de esperança no futuro, perpetuam essa prática.. “As crianças indígenas fazem parte dos grupos mais vulneráveis e marginalizados do mundo, por isso é urgente agir a nível mundial para proteger sua sobrevivência e direitos (.. )”.. Relatório do Centro de Investigação da UNICEF, em Florença, Madrid, fevereiro de 2004..

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  • Title: Hakani
    Descriptive info: Estudo coordenado pelo cientista político brasileiro Paulo Sérgio Pinheiros, apresentado à ONU em 2006, mapeia a violência contra crianças em 130 países do mundo.. “É uma coisa horrível se derramar sangue de bebês em nome da tradição”, diz Boni Goura, antropólogo social da etnia Baatonou, que trabalha junto a outros ativistas sociais com o objetivo de abolir o infanticídio em Benin.. Recém-nascidos com alguma deficiência física viram um fardo na África Central e Ocidental.. Nesses casos a família reduz os cuidados e o bebê morre para alívio geral.. Na Índia, a predileção por filhos homens leva a grávida a abortar se descobre que gerou uma mulher.. As meninas comem o que sobra dos pratos dos irmãos.. Menos nutridas, adoecem mais e são as últimas a serem atendidas no sistema de saúde.. Crianças sensíveis ou sonhadoras correm risco em lugares como Camarões, Gabão, Nigéria e Libéria.. Identificadas como detentoras de poderes diabólicos, culpadas por acidentes e infortúnios, são levadas para centros de reabilitação.. Em Benin, não precisa muito para uma criança ser sentenciada à morte.. Basta que na hora do parto, saiam primeiro os pés, os ombros ou  ...   seus bebês, com medo da execução.. “O machismo, na América Latina, embora seja cultural, é atacado e limitado por políticas públicas que vêem neste elemento cultural um dano ao próprio homem e sociedade.. O jeitinho brasileiro, que patrocina a corrupção e tolerância de pequenos delitos, apesar de ser resultante de elementos também culturais não deixa de ser compreendido como nocivo ao homem.. Como tal não é aceito pela sociedade como desculpa para a continuidade de práticas danosas à vida.. O mesmo poderíamos falar a respeito do racismo.. Nestes três casos a universalidade ética é evocada e aceita de forma geral pela sociedade e os direitos humanos são reconhecidos.. Porque que não no caso de elementos culturais nocivos à vida, em contexto indígena? Isto me leva a aceitar a especulação de Maquiavel de que a guerra do vizinho nos incomoda menos do que nosso pequeno conflito familiar.. ”.. Trecho de Não há morte sem dor, de Dr.. Ronaldo Lidório, antropólogo.. Fonte: O Mapa da Violência Contra Criança no Mundo, Revista Cláudia, Ed.. Abril, outubro/2006; Fears of Witchcraft fuel infanticide in Benin, Mail & Guardina online, July 2005, Benin..

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  • Title: Hakani
    Descriptive info: Infantícidio nas comunidades indígenas do Brasil.. Enquanto faltam dados confiáveis, muitas das mortes por infanticídio são mascaradas nos dados estatísticos como morte por desnutrição ou causas inespecíficas.. Um dos primeiros desafios na erradicação do infanticídio é o levantamento de dados confiáveis.. A tendência do governo é tentar minimizar o problema.. Para o coordenador de assuntos externos da FUNAI, Michel Blanco Maia e Souza, os casos de infanticídio não merecem maior atenção do governo.. “Não temos esses números, mas acredito que sejam casos isolados.. ”.. Com base no Censo Demográfico de 2000, pesquisadores do IBGE constataram que para cada mil crianças indígenas nascidas vivas, 51,4 morreram antes de completar um ano de vida, enquanto no mesmo período, a população não-indígena apresentou taxa de mortalidade de 22,9 crianças por cada mil.. A taxa de mortalidade infantil entre índios e não-índios registrou diferença de 124%.. O Ministério da Saúde informou, também em 2000, que a mortalidade infantil indígena chegou a 74,6 mortes nos primeiros 12 meses de  ...   só no Parque Xingu são assassinadas cerca de 30 crianças todos os anos.. E de acordo com o levantamento feito pelo médico sanitarista Marcos Pellegrini, que até 2006 coordenava as ações do DSEI-Yanomami, em Roraima, 98 crianças indígenas foram assassinadas pelas mães em 2004.. Em 2003 foram 68, fazendo dessa prática cultural a principal causa de mortalidade entre os yanomami.. A prática do infanticídio tem sido registrada em diversas etnias, entre elas estão os uaiuai, bororo, mehinaco, tapirapé, ticuna, amondaua, uru-eu-uau-uau, suruwaha, deni, jarawara, jaminawa, waurá, kuikuro, kamayurá, parintintin, yanomami, paracanã e kajabi.. “Não existem dados precisos.. O pouco que se sabe sobre esse assunto provém de fontes como missões religiosas, estudos antropológicos ou algum coordenador de posto de Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) que repassa as informações para a imprensa, antes que elas sejam enviadas ao Ministério da Saúde e lá se transformem em “mortes por causas mal definidas” ou “externas”.. Marcelo Santos, em “Bebês Indígenas Marcados para Morrer” (Revista Problemas Brasileiros, SESC-SP, maio-junho/2007)..

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  • Title: Hakani
    Descriptive info: O direito a vida é universal e não depende da origem étnica.. “O direito à diversidade cultural nunca poderá ser evocado como justificativa para se tolerar práticas como a escravidão, tortura e genocídio.. Por que razão esse direito seria evocado como justificativa para que se tolere o infanticídio?”.. - Aspectos Legais.. Infanticídio entre os Povos Indígenas no Brasil.. Maíra de Paula Barreto*.. No Brasil, a posição de muitos representantes governamentais responsáveis por questões indígenas é pela não-interferência em práticas culturais.. Não existem dados oficiais a respeito do infanticídio cometido nas tribos.. É sabido que o infanticídio ocorre, majoritariamente (pode variar dependendo do grupo étnico em questão), quando uma criança nasce com alguma deficiência, quando nascem gêmeos e quando a criança é filha de mãe solteira.. A universalidade dos direitos humanos defende que estes são válidos para todas as pessoas, independentemente de sua cultura, grupo étnico, sexo etc.. Assim, legalmente, o Brasil adota os direitos humanos como universais, mas na prática, o Brasil está adotando uma política de tolerância a práticas tradicionais que violam direitos humanos (tais como o direito à vida e à integridade física, garantidos a todas as crianças brasileiras).. No estudo do Instituto Innocenti, da UNICEF, chamado “Assegurar os direitos das crianças indígenas", há uma referência às práticas tradicionais nocivas:.. “Por outro lado, as reivindicações de grupo que pretendem conservar práticas tradicionais que pelos demais são consideradas prejudiciais para a dignidade, a saúde e o desenvolvimento do menino ou da menina (este seria o caso, por exemplo, da mutilação genital feminina, do matrimônio não consensual ou de castigos desumanos ou degradantes infligidos sob pretexto de comportamentos anti-sociais) transgridem os direitos do indivíduo e, portanto, a comunidade não pode legitimá-los como se se tratasse de um de seus direitos.. Um dos princípios-chave que tem vigência no direito internacional estabelece que o indivíduo deve receber o mais alto nível possível de proteção e que, no caso de crianças, “o interesse superior da criança” (artigo 3º da Convenção sobre os Direitos da Criança) não pode ser desatendido ou violado para salvaguardar o interesse superior do grupo”.. Apesar de existir legislação suficiente (nacional e internacional) sobre a prevalência dos direitos humanos no conflito com práticas tradicional nocivas, não existe menção específica sobre o infanticídio indígena nos documentos da ONU.. Quando se trata de infanticídio, somente é referido o do tipo feminino.. Por exemplo, o item 48 do “Fact Sheet” nº 23 sobre Práticas Tradicionais Nocivas que afetam a saúde de mulheres e crianças, produzido pela Oficina do Alto Comissionário de Direitos Humanos da ONU, diz que: "Infanticídio feminino e feticídio feminino devem ser abertamente condenados por todos os governos, como uma flagrante violação do direito básico à vida da menina.. ".. É mais comum encontrar informações sobre as práticas tradicionais nocivas no contexto feminino.. A resolução adotada pela Assembléia Geral das Nações Unidas, em 2002, chamada de “Um mundo para  ...   lei.. É, de fato, um assunto delicado, mas as posições das Nações Unidas e do Direito Internacional são bastante claras a respeito das práticas tradicionais nocivas.. O Decreto Brasileiro nº 5.. 051, de 2004 (o qual é a Convenção nº 169 da OIT), em seu art.. 8º, nº 2, garante aos povos indígenas o direito de preservar seus costumes e instituições próprias desde que eles não sejam incompatíveis com os direitos fundamentais definidos pelo sistema jurídico nacional nem com os direitos humanos internacionalmente reconhecidos.. A Convenção sobre os Direitos da Criança, no art.. 23, nº 3, estabelece que todos os Estados-partes devem tomar todas as medidas efetivas com o objetivo de abolir as práticas tradicionais prejudiciais à saúde da criança.. Além disso, a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente garantem o direito da criança à vida como o direito por excelência.. É importante enfatizar que a cultura é dinâmica e não imutável.. A cultura não é o bem maior a ser tutelado, mas sim o ser humano, no intento de minimizar o seu sofrimento.. *.. Doutoranda em Direitos Humanos pela Universidade de Salamanca, Espanha.. Membro do Conselho Deliberativo da ONG ATINI – Voz pela vida (.. www.. vozpelavida.. br.. ).. Tradução livre do original em espanhol.. UNICEF.. Centro de Investigaciones Innocenti.. Asegurar los derechos de los niños indígenas.. Innocenti Digest 11.. Florencia: Tipografia Giuntina, 2003, p.. 7.. Art.. 227.. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.. 4º.. É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.. 5º.. Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.. 7º.. A criança e o adolescente têm direito a proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência.. A.. ATINI.. acredita que uma solução mais imediata (mas não definitiva) para este delicado problema seria uma política de adoção (somente quando o tratamento e a reintegração não forem possíveis), para garantir a estas crianças indígenas o direito à vida, pois elas são protegidas pelo ordenamento jurídico brasileiro, mas negligenciadas pela atuação governamental.. - Convenção sobre os Direitos da Criança.. - UNICEF..

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  • Title: Hakani
    Descriptive info: HAKANI, Uma menina chamada sorriso.. Hakani nasceu em 1995, filha de uma índia suruwaha.. Seu nome significa sorriso e seu rosto estava sempre iluminado por um sorriso radiante e contagioso.. Nos primeiros dois anos de sua vida ela não se desenvolveu como as outras crianças – não aprendeu a andar nem a falar.. Seu povo percebeu e começou a pressionar seus pais para matá-la.. Seus pais, incapazes de sacrificá-la, preferiram se suicidar, deixando Hakani e seus 4 irmãos órfãos.. A responsabilidade de sacrificar Hakani agora era de seu irmão mais velho.. Ele levou-a até a capoeira ao redor da maloca e a enterrou, ainda viva, numa cova rasa.. O choro abafado de Hakani podia ser ouvido enquanto ela estava sufocada debaixo da terra.. Em muitos casos, o choro sufocado da criança continua por horas até cair finalmente um profundo silêcio – o silêncio da morte.. Mas para Hakani, esse profundo silêncio nunca chegou.. Alguém ouviu seu choro, arrancou-a do túmulo, e colocou nas mãos de seu avô, que por sua vez levou-a para sua rede.. Mas, como membro mais velho da família, ele sabia muito bem o que a tradição esperava dele.. O avô de Hakani tomou seu arco e flecha e apontou para ela.. A flechada  ...   de árvore, folhas, insetos, a ocasionalmente algum resto de comida que seu irmão conseguia para ela.. Além do abandono, ela era física e emocionalmente agredida.. Com o passar do tempo Hakani foi perdendo seu sorrido radiante e toda sua expressão facial.. Mesmo assim o profundo silêncio não caiu sobre ela.. Finalmente foi resgatada por um de seus irmãos, que a levou até a casa de um casal de missionários que por mais de 20 anos trabalhava com povo suruwahá.. Esse casal logo percebeu que Hakani estava terrivelmente desnutrida e muito doente.. Com cinco anos de idade ela pesava 7 quilos e media apenas 69 centímetros.. Eles começaram a cuidar de Hakani como se ela fosse sua própria filha.. Eles cuidaram dela por um tempo na floresta, mas sabiam que sem tratamento médico ela morreria.. Para salvar sua vida, eles pediram ao governo permissão para levá-la para a cidade.. Em apenas seis meses recebendo amor, cuidados e tratamento médico, Hakani começou a andar e falar.. Aquele sorriso radiante voltou a iluminar seu rosto.. Em um ano seu peso e sua altura simplesmente dobraram.. Hoje Hakani tem 12 anos, adora dançar e desenhar.. Sua voz, antes abafada e quase silenciada, hoje canta bem alto – uma voz pela vida..

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  • Title: Hakani
    Descriptive info: “A mãe mesmo falou pra mim outro dia ‘Poxa! O pessoal enterrou nosso filho, agora nós só estamos com um.. ’.. É muito triste, a gente não consegue esquecer.. Meu filho tinha um irmão gêmeo.. - Depoimento de Paltu Kamayura.. Esse meu filho era gêmeo, tinha dois.. Eles enterraram o outro.. A enfermeira não me avisou que ela tinha gêmeos.. Só na hora que nasceram as crianças, às duas horas da madrugada.. Eu estava na minha casa e a minha esposa estava na casa da mãe dela.. Aí, depois que nasceu, a pessoa veio falar prá mim que eram duas crianças.. Eu levei um susto, né? Eles me avisaram que iam enterrar as duas.. Aí eu falei que não, que eu precisava pegar pelo menos uma delas.. Mas a família não queria que eu pegasse nem uma das crianças.. Eu insisti e aí meu pai foi lá para segurar uma das crianças.. Eles pegaram uma e enterraram a outra.. Hoje a criança está aqui comigo, já tem sete meses, tá gordinho.. Quando eles enterram criança, o pai e a mãe sentem falta.. Como é meu caso mesmo.. Até hoje eu não esqueço ainda.. Porque eu estou vendo o menino, o crescimento dele, aí eu penso no outro também, poxa!.. Se eu tivesse alguém que me ajudasse, eu poderia criar as duas crianças.. eu falo isso.. A mãe mesmo falou prá mim outro dia “Poxa! O pessoal enterrou nosso filho, agora nós só estamos com um.. ” É muito triste, a gente não consegue esquecer.. As pessoas que estudam sobre a cultura do índio, como antropólogos e indigenistas, eles pensam que os índios vão viver assim prá sempre, como era antes.. Mas hoje já está mudando.. Cada vez mais o pensamento dos jovens, da geração de hoje, vai mudando.. O meu pensamento mesmo, não é como antes.. Não é como o pensamento dos antropólogos que estudaram a cultura, que dizem “deixa ele viver assim, isso é a cultura deles”.. Não, porque a cultura não pára, ela anda.. O pensamento também anda, igualzinho a cultura.. Por isso é que hoje a gente está querendo pegar todas essas crianças, até as que têm defeito.. Elas são gente, não são animal, não são filho de porco ou de tatu.. São gente mesmo, saíram de uma pessoa.. Esse é o meu pensamento.. Isso quem vai decidir é a gente mesmo.. Somos nós que estamos procurando ajuda para criar essas crianças.. Nós estamos procurando apoio, nós temos que conversar entre nós mesmos, aí, através dessa conversa, o governo tem que nos atender.. Muita gente já tá procurando ajuda para resolver esse problema.. Meu sobrinho mesmo, o Marcelo, ele trabalha na área de saúde.. Ele é auxiliar de enfermagem e está indo de aldeia em aldeia, conversando com os caciques.. Ele está conversando, falando para não enterrar mais criança que nasce com deficiência, gêmeos, criança que  ...   quando Niawi tinha 5 anos.. Toda a comunidade chorou muito a perda do grande caçador e de sua esposa.. Foram longos dias de luto e de canto ritual.. Quando terminaram os rituais fúnebres, o irmão mais velho de Niawi lhe deu vários golpes na cabeça até que ele desmaiasse.. Depois disso, segundo relatos dos familiares, Niawi foi enterrado ainda vivo numa cova rasa perto da maloca.. Algumas mulheres jovens da tribo, chocadas mas incapazes de reagir, ficaram paradas ao redor da cova improvisada.. Ficaram ali ouvindo o choro abafado do menino até que esse choro se transformasse em um profundo silêncio.. Um silêncio que continua até hoje.. Meu nome é Edson Bakairi, e eu sou um sobrevivente.. Quando chegou o momento de dar à luz, minha mãe sentiu as dores e foi sozinha para um lugar afastado no mato com a intenção de me matar.. Tão logo eu saí de suas entranhas ela tentou me sufocar, mas como estava muito fraca não conseguiu.. Ela tentou então me pendurar com cipó mas também não conseguiu, e acabou me abandonando no mato.. Chegando em casa, ela disse para minhas irmãs mais velhas, que na época teriam entre 9 e 11 anos, para enterrar a criança que estava no mato.. Disse que se estivesse vivo era para matar e enterrar para que meu pai não soubesse do nascimento.. Elas saíram na direção que minha mãe tinha apontado.. Quando chegaram no local me encontraram coberto de sangue, todo sujo de terra e insetos sobrevoando.. Já havia até insetos na boca e nariz, mas eu estava me mexendo.. Minhas irmãs estavam apavoradas e confusas.. Lúcia, a mais velha, estava decidida a me matar e enterrar por temor da reação do pai, mas a Maria, minha outra irmã, compadecida, não permitiu e a convenceu com o argumento de que sendo um menino eu poderia ser útil.. Então pegaram-me e levaram-me para casa, lá cortaram o cordão umbilical com tesoura de costura, limparam-me, cortaram suas saias e me enrolaram, socaram arroz no pilão para fazer leite de arroz e me alimentaram.. Depois levaram-me para a minha mãe e disseram-lhe que quando fui encontrado ainda estava me mexendo, sentiram dó, não tiveram coragem de me matar e então decidiram me esconder no mato e cuidar de mim, mesmo colocando suas próprias vidas em risco.. Elas enfrentaram a loucura de meu pai e lutaram para que ele não tirasse minha vida.. Bem mais tarde minha mãe se apegou a mim.. Aquele filho que ela tentou matar tornou-se o predileto e dono de sua maior afeição.. “Nenhuma criança tem culpa de nascer, todas as crianças têm o direito de viver.. A cada criança que morre, morrem com ela o sonho e a esperança de alguém que poderia ser importante para sua comunidade, capaz de produzir mudanças, e reconstruir a história de seu povo.. Edson Bakairi, líder indígena do Mato Grosso..

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